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Page history last edited by Maribel Oliveira 2 years, 10 months ago

                                             Dossiê Inclusão

 

                                             Maribel Oliveira

Unidade 1

 

Nos anos de 2003, 2005 e 2007 trabalhei  com inclusão, nestes  anos tive criança com síndrome de dow em minha sala, a primeira vez me causou um certo medinho, aquela coisa de pensar em como lidar com a situação, participei de palestras, seminários que me ajudaram no meu trabalho. No ano de 2008 convivia bastante com alunos surdos que estudavam na escola que eu trabalhava, até aprendi alguns sinais básicos para me comunicar com eles. 

Relato um pouco para voçês como eram meus alunos com síndrome de dow:

A Maria  tinha 10 anos e os demais alunos tinham 6 anos de idade, ela falava pouquíssimas palavras, participava de todas atividades, em alguns dias tomava atitudes agressivas, me lembro que adorava dançar, sua família era bem presente e super protetora.

O João tinha 6 anos de idade como os demais alunos, seu vocabulário era muito rico, fazia se entender, participava de todas atividades, sua família era bem presente, amavam-o, aceitavam-o como era, tratavam ele sem diferenças dos dois irmãos, raramente tomava atitudes agressivas, a única coisa difícil que enfrentava todos os dias era tirá-lo da pracinha, custava a vir para a sala. Uma vez fomos passear em sua casa, uma xácara e ele se atirou no açúde, eu me apavorei porque não sabia que ele sabia nadar, era surpreendente.

O José tinha 6 anos de idade enquanto os demais alunos da turma tinham 4, falava pouco, não me chamava de profe e sim de mãe, nem sempre realizava as atividades, faltava muito as aulas, tinha febres altas e convulsões, ficava doente com muita facilidade, sua família mudava-se muito, permaneceu um tempo em outra escola e depois retornou.

Estes casos que tive acredito que a inclusão aconteceu, as turmas sempre recebiam-os muito bem e sempre penso que a criança que aprende a conviver com um colega especial torna-se um adulto mais humano, mais solidário.

Outra observação que faço é que não considero muito correto o processo de avaliação, penso na Educação Infantil e na Educação Especial a criança deve ser sempre passada, acompanhar a turma que está, náo ficar atrasando a criança que depois se encontrará sempre entre crianças mais novas e menores.

Acrescentando: Trabalhava atividades recreativas, desenhos, histórias, algumas atividades realizadas com todos e outras em grupinhos. A Maria e o João nunca apresentaram resistências lembro que a Maria já mostrava a letra inicial de seu nome e o João tinha muita elasticidade corporal. Minhas maiores dificuldades eram como citei acima a agressividade e quando se negavam a seguir alguma orientação.

Fico feliz em saber que algumas colegas relatam que experincias com alunos que repetiram o ano estão dando certo, também possibilita novas amizades.

 

Unidade 2

 

A  escola a que me refiro é de Educação Infantil, tem 213 alunos  e 36 docentes, atende as turmas de Berçário 1 e Berçário 2 (2 meses a 1 ano) Maternal 1 ( 1 a 2 anos de idade) Maternal 2 (2 a 3 anos) Maternal 3 (3 a 4 anos) Jardim nível A (4 a 5 anos) Jardim nível B (5 a 6 anos).

Os alunos que temos este ano são quatro crianças, uma tem 5 anos está no Jardim nível A e tem síndrome de Dow, relaciona-se bem com todos, participa das atividades, tem atendimento especializado no NAE (Núcleo de Atendimento ao Educando), mas não está frequentando porque a família diz que não tem ninguém que a leve, nem transporte, ano passado ela ia com transporte da secretaria da educação da cidade e a secretária da escola acompanhava ela e mais um aluno, porém este ano isso não foi possível e este atendimento também depende da participação da família, porém auxilia muito nossso trabalho e propicia um melhor desenvolvimento a criança.

A outra criança que falo, também uma menina de 6 anos, frequenta o Jardim nível A, é cadeirante, tem macrocefalia, não fala.Na sala tem uma funcionária que auxilia a professora mas dedica-se quase que exclusivamente a essa menina. Não tem atendimento especializado, já está melhor adaptada na escola, mas no início tinha febres altas.

Temos outro menino, que frequenta o maternal 3 no turno da tarde, tem 5 anos, é muito agitado, ganha convulsões, os médicos deram diagnóstico de retardo mental, por sinal expressões que nem se usam mais, e também deram diagnóstico de autismo, mas nós que convivemos com ele, não acreditamos que possa ser autista, pois convive bem com as outras crianças, fala o nome dos colegas da sala, é afetuoso, também tinha atendimento no NAE e não tem mais pelos mesmos motivos da primeira menina que citei.

Também temos um menino de 2 anos que frequenta o Berçário 2, ainda não caminha,  fala muitas palavras, e tem hidrocefalia, mas faz as drenagens regularmente e está apresentando um ótimo desenvolvimento.

Como já comentei em outros trabalhos, uma vez escutei em uma palestra, mas não tenho a bibliografia. Penso que o certo na Educação Especial e na Educação Infantil, é a criança, avançar as séries, etapas de acordo com sua idade, ou seja, não ficar atrasando as crianças.

Acredito que nossa escola tem capacidade para receber os alunos de inclusão e os recebe com carinho, porém ainda seria necessário que houvesse mais capacitações para os professores, rampas de acesso para cadeirante, materiais didáticos que auxiliassem nossa realização pedagógica com estes alunos, bem como uma sala de atividades multifuncionais.

Destaco dos textos lidos:     

Art. 1º A presente Resolução institui as Diretrizes Nacionais para a educação de

alunos que apresentem necessidades educacionais especiais, na Educação

Básica, em todas as suas etapas e modalidades.

Parágrafo único. O atendimento escolar desses alunos terá início na educação

infantil, nas creches e pré-escolas, assegurando-lhes os serviços de educação

especial sempre que se evidencie, mediante avaliação e interação com a família e

a comunidade, a necessidade de atendimento educacional especializado..

Art. 2º Os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos, cabendo às

escolas organizar-se para o atendimento aos educandos com necessidades

educacionais especiais, assegurando as condições necessárias para uma educação de qualidade para todos.

A lei está sendo aplicada em partes, as escolas recebem as crianças, mas muitas vezes a família não se integra a escola, não participa, não se interessa, tem a escola apenas como local para deixar seu filho. Geralmente uma criança especial precisa de atendimento especial, além da escola, mas isso nem sempre acontece. Acho muito importante incluir, atender, mas com condições que como diz a lei que assegure uma educação de qualidade para todos, mas na prática isso está acontecendo? Acredito que aos poucos vamos nos aperfeiçoando, adquirindo mais experiências, sabendo lidar com as diversas situações que nos apresentam.

 

Unidade 3:

Entidades que atendem crianças especiais no município de Sapiranga:

APAE: atende a 120 alunos.

NAE: atende 130 alunos.

POLO DE DEFICIÊNCIAS VISUAIS: atende 8 alunos, 4 cegos e 4 com pouca visão.

APADA:  65 alunos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Comments (7)

carolinebohrer82@... said

at 3:51 pm on Apr 22, 2009

OK, Maribel!

liliana said

at 9:26 pm on Apr 22, 2009

Oi Maribel

poderias nos contar mais detalhes da tua rica experiência com síndrome de down? que tipo de atividades desenvolvias? tinhas momentos individuais e em grupo? como organizavas o tempo com eles? quais eram as principais dificuldades que encontravas?
tocastes no teu relato tbm um ponto importante "acompanhar a turma ou permancer na série" é um grande dilema...e não há uma solução pronta...se olhares os dossies de colegas verás que há experiências bem sucedidas em ambos os casos. Colocas a questão da idade como sendo importante...concordo...mas será que somente amigos da mesma idade são os que realmente contribuem? é possível que o aluno com necessidade especial precise se sentir "entrumado" fazendo as mesmas coisas que os outros? e nao apenas "estando" com outros da mesma idade mas com atividades sempre diferentes... que achas disto? vale a pena pensar ne?
Na segunda parte do teu dossiê acho que podias aprofundar mais nos contando como está organizada essa escola para trabalhar com a inclusão..há grupo de estudos? planejamento coletivo? ações entre família e escola? e a avaliação? como está sendo realizada?
abraços
lili
abraços
lili

Maria del Carmen Cabrera Martins said

at 3:20 pm on May 20, 2009

Olá, Maribel, no teu relato nos contas que o aluno frequenta a turma maternal 3, por tanto acredito que tenha 3 anos. Poderias nos contar que tipo de atividades a professora desenvolve?, em que momento, como, percebestes que ele tem potencial para se desenvolver?, foi vendo ele realizando algum tipo de atividade ou por observação do seu comportamento?.Como a Liliana te sugeriu no comentario logo acima, podes nos descrever mais sobre como a escola esta organizada para trabalhar com a inclusão. Gosto muito de trabalhar com alunos autistas, posso te sugerir algumas leituras se desejares.
Abraços
Maria del Carmen

Maria del Carmen Cabrera Martins said

at 3:23 pm on May 20, 2009

Olá, Maribel, no teu relato nos contas que o aluno frequenta a turma maternal 3, por tanto acredito que tenha 3 anos. Poderias nos contar que tipo de atividades a professora desenvolve?, em que momento, como, percebestes que ele tem potencial para se desenvolver?, foi vendo ele realizando algum tipo de atividade ou por observação do seu comportamento?. Gosto muito de trabalhar com alunos autistas, posso te sugerir algumas leituras se desejares.
Abraços
Maria del Carmen

Maribel Oliveira said

at 2:37 pm on May 28, 2009

Acrescentei um parágrafo sobre a escola, mas não temos grupos de estudos ou planejamento coletivo, a avaliação é feita como dos demais alunos e no final do ano as entidades que também este aluno fazem um parecer e opinam se o aluno deve ou, não continuar na mesma turma. O estudo de caso P. como já havia escrito tem 5 anos, e acredito que teria melhor rendimento em uma série mais avançada, pois como frequenta só o turno da tarde em uma turma integral, chega na hora do soninho na escola e parece perdido na rotina. Os médicos deram diagnóstico de autismo, mas pelo que conheço ele não é autista não, pois não se isola, é afetivo e fala o nome dos colegas. Obrigada pelas dicas. Maribel

Maria del Carmen Cabrera Martins said

at 9:23 am on May 31, 2009

Olá, Maribel, o isolamento é uma das caracteristicas dos autistas, mas não quer dizer que todos sejam assim, trabalho com autistas faz muitos anos e tem muitos deles que criam vinculos afetivos com os colegas e professores, cconversam, cumprimentam e reconhecem e lembram os nomes. Tenho contato com alguns que ja foram os meus alunos, conversamos pelo msn, pelo telefone,enfim eles mantem vinculo social, claro com limitações.
Abraços
Maria del Carmen

liliana said

at 10:48 pm on Jun 24, 2009

Oi Maribel

o diagnóstico de autimso é complexo,...sugiro que orientes a mãe para procurar um psicologo com experiencia. Tem um site com informações sobre isso www.autismo.com.br
abraços
lili

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